Economia cresce 0,4% no segundo trimestre de 2019 em relação ao primeiro

         



A economia do país cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2019 na comparação com os três primeiros meses do ano, na série com ajuste sazonal. Na comparação com igual período de 2018, o PIB subiu 1%. No primeiro semestre, a alta é de 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado nos quatro trimestres terminados em junho de 2019 alcançou 1%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (29/8) que, em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2019 totalizou R$ 1,780 trilhão. No período, a taxa de investimento foi de 15,9% do PIB, acima da observada no mesmo período de 2018 (15,3%).

 

De acordo com o IBGE, a maior alta foi da indústria, de 0,7%, seguida de serviços, 0,3%. A Agropecuária registrou queda de 0,4%. O crescimento no setor industrial se deve à expansão de 2% no segmento de transformação e de 1,9% na construção civil. Indústrias extrativas recuaram 3,8% e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos também teve queda, de 0,7%, no período.

“Juntas, as indústrias de transformação e construção respondem por cerca de 70% do setor. Além disso, a indústria de transformação tem peso no segmento de bens de capital, que contribuem para os investimentos internos e externos”, explica a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio.

 

Nos serviços, as atividades imobiliárias (0,7%), comércio (0,7%), informação e comunicação (0,5%) e outra (0,4%) apresentaram resultados positivos. Pela ótica da despesa, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos, avançou 3,2%, e o consumo das famílias, 0,3%. Já o consumo do governo recuou 1% no trimestre.

 

No que se refere ao setor externo, as exportações de bens e serviços caíram 1,6%, enquanto que as importações cresceram 1% em relação ao primeiro trimestre de 2019.

 

Comparação anual
Na comparação com o segundo trimestre de 2018, a economia brasileira cresceu 1%, 10º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. A agropecuária variou 0,4, sobretudo pelo desempenho de produtos da lavoura com safra relevante no segundo trimestre, pela produtividade na área plantada e pelo bom desempenho da pecuária.

 

A indústria teve expansão de 0,3%, com maior expansão no segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos (2,4%), favorecida pelo efeito das bandeiras tarifárias. A construção subiu 2%, após 20 trimestres consecutivos de queda nessa comparação. A indústria de transformação cresceu 1,6%, influenciadas pela alta da produção de produtos de metal; máquinas e equipamentos; produtos químicos; metalurgia e bebidas. A extrativa despencou 9,4%, resultado do desastre de Brumadinho.

 

Os serviços cresceram 1,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para informação e comunicação (3%) e atividades imobiliárias (2,7%). Ainda com resultados positivos, houve avanço em comércio – atacadista e varejista – de 2,1%.

 

O consumo das famílias teve expansão 1,6%, o nono avanço consecutivo nessa comparação, explicado, principalmente, pelo comportamento dos indicadores de crédito para pessoa física, bem como da expansão da massa salarial no segundo trimestre de 2019.

 

A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 5,2% no segundo trimestre de 2019, o sétimo resultado positivo após 14 trimestres de recuo. Este aumento é justificado pelo crescimento na importação e produção de bens de capital e na construção. A despesa do governo teve queda de 0,7% em relação ao segundo trimestre de 2018. No setor externo, exportações cresceram 1,8%, e importações, 4,7%.

 

Alta de 1% no ano
No acumulado dos quatro meses terminados em junho de 2019, a economia brasileira cresceu 1% em relação a igual período do ano anterior. Os destaques positivos foram agropecuária (1,1%) e serviços (1,2%); e o negativo foi a indústria (-0,1%).

 

Na análise da despesa, os desempenhos foram os seguintes: investimentos (FBCF), alta de 4,3%; consumo das famílias, expansão de 1,5%; gasto do governo recuou 0,2%; exportações (4,3%) e importações (5,4%).

 

O PIB cresceu 0,7% no primeiro semestre de 2019 frente a igual período de 2018, o que representa uma desaceleração em relação à expansão de 1,2% no semestre encerrado em dezembro de 2018.

 

Surpresa
Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, o PIB surpreendeu ao avançar 0,4% no trimestre. “Na contramão de todas as pesquisas anteriores do próprio IBGE os dados do PIB surpreenderam. A despeito da Pesquisa Industrial Mensal ter apontado retração da indústria no período, em torno de 0,6%, os dados das contas nacionais mostram que o setor subiu 0,7% na margem e ajudou muito no resultado. Interessante notar também o robusto crescimento dos investimentos que subiram no trimestre 3,2%. É uma surpresa extremamente positiva e irá forçar revisões em nossas projeções”, afirmou.