O longo prazo só serve para comprar o caixão do defunto

         



Por Gerson Brasil
Jair está ensopado de críticas, mas a maior delas, a falta de dinamismo da economia, passa longe do terno, sequer o arranha ou lhe impõe dobras e amassos, ou qualquer outro contratempo não usual. E isto se deveà confissão feita, várias vezes, sobre o desconhecimento da ciência fundada por Adam Smith, com a publicação de “Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”.

 

Recentemente, Jair, com muita propriedade, colocou no colo dos economistas, incluindo o Guedes, a responsabilidade pelas desventuras porque passa o mercado de trabalho, com mais de 12 milhões de desempregados, embora o governo, ajudado pela imprensa, alardeie que está em queda, porque foram criados mais de um milhão de empregos. No entanto, 80% no empreendedorismo de baixo carbono, bico, informalidade e miçangas.

 

Não se sabe a extensão das ciências pouco próximas ou sem contato com Jair, e suas reverberações nas análises e tomadas de posição do capitão; às vezes estremecedoras. Os dois copistas de Flaubert, Bouvard e Pécuchet, leram milhares de tratados (dá-se muita risada) sobre espiritismo, filosofia, hipnose, jardinagem et al e no final o trabalho se revelou inútil e frustrante, porque a conclusão não resultou em sabedoria e sim em decepção; no lugar da revelação surgiu a estupidez, a idiotia burguesa, revestida de gloriosas sandices. Decepcionados,criaram o “Dicionário das Ideias Feitas”, uma farsa da mediocridade humana, usualmente repetida e estabelecida como verdade.

 

Não seria o caso de Jair repeti-los, em busca de uma melhor compreensão do mundo. Mas sem a ciência só nos resta a adivinhação, ou o silogismo parvo, em pencas, a nos aborrecer e provocar convulsões multitudinárias, de súbito.

 

Mas Guedes estudou na universidade de Chicago e conhece o legado de Smith e posteriores. A austeridade fiscal, recomendada por ele, é um remédio infalível para as famílias e governos, no bem haver da contenção das contas para o equilíbrio entre receita e despesa.

 

Mas não podemos ficar presos a isso, e Guedes está devendo medidas de curto e médio prazo para reativar a economia. Até agora as ferrovias continuam sem trilhos e 14 mil obras públicas se deterioram, sem que nada seja feito, acumulando prejuízo. Na área da construção civil há muita obra por fazer e as médias empresas poderiam entrar nesse filão, outrora cadeira cativa das grandes empreiteiras, hoje praticamente fora de combate, devido à Lava Jato. É bom lembrar que está valendo o seguro de obras, ou seja, se a empreiteira não cumprir o orçamento ela é substituída, porque a seguradora se compromete a entregar o serviço, pelo preço do contratado.

 

A declaração do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, jogando o déficit primário, R$ 14,740 bilhões anuais (o excessivo gasto do governo superando as receitas), para 2023, defenestrando o 2020 de Guedes, não é um bom indicador.

 

Por isso mesmo se faz necessário um maior avanço das privatizações para gerar caixa. As estatais subsidiárias podem ser privatizadas sem passar pelo Congresso, mas, se gasta tempo pondo em pauta a privatização da Petrobras, o grande orgulho e troféu do brasileiro e cujo lema, “o petróleo é nosso”, está encarniçado na alma do país. É uma tolice, semelhante ao Lula livre e o desejo, quase febril, de acabar com a Lava Jato.

 

Até agora não foi abolido o decreto presidencial que autoriza a entrada de bancos estrangeiros no país. O que levaria a uma maior oferta de crédito, como também de juros menores. Há muito capital à solta pelo mundo sendo remunerado com taxas anuais negativas: Alemanha, 0,7%, França, 0,4%, Holanda, 0,56%, Suíça, 1,09%. Austeridade fiscal é desejada e deve ser exercitada, mas no longo prazo só serve para comprar o caixão do defunto. No YouTube, Gal e Alice Caymmi nos brinda com “sua estupidez”.
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Jornalista